Ria da Minha Vida Antes Que Eu Ria da Sua
O que pode levar alguém a escrever
um livro?
A idéia
de começar a escrever sobre minha vida vem de longe. Muitos
amigos sugeriam que por diversas vezes eu o fizesse, quando presenciavam
algum acontecimento engraçado sobre minha vida. Nunca imaginei
que isso seria possível. Achava graça nas sugestões
e esquecia-me do assunto logo em seguida.
Uma vez pensei em um título
para o suposto livro. Não possuía a menor intenção
de escrever, mas brinquei de imaginar qual seria o título
se o fizesse. Sem um título acho que não teria começado.
O empurrão inicial que me levou ao atual título surgiu
há pouco tempo, no banho, enquanto a água fria do
chuveiro caía sobre meu rosto. Em casa, tomando aqueles banhos
longos em que a gente fica enchendo a boca de água e depois
soltando como se fosse uma baba, (sei que você já fez
isso) tentei pegar com os pés (por causa da preguiça)
um micro sabonete que sobrou no chão e já ia sumindo
pelo ralo. Não consegui. Como estava sozinho (sem aquele
pessoal que freqüenta os chuveiros dos vestiários masculinos
e vivem esperando você se abaixar para assobiarem) não
vi mal em abaixar para pegá-lo.
Mas sabe... não entendo até
hoje porque o box de casa, além de ter apenas um metro e
meio quadrado, tem uma torneira na parede a apenas meio metro do
chão e foi nela que sentei com tudo:
— Aaaaaaaaaiiiiiiiii... ai...
aiaiaiai!!!!! – gritei desesperado.
A dor, inimaginável para você,
foi no local que chamam de cóccix, aquele ossinho que você
também tem. Veja então a seqüência: ao
bater o cóccix, a torneira abriu, jogou água no resto
do sabonete que já estava se desfazendo no chão, ensaboou
tudo e vlapt! Mesmo de cócoras, minhas pernas foram para
o ar e aquele barulho ridículo de pele batendo na água
e no chão aconteceu; fora a cabeçada, para fechar
o show.
Mas aposto que você se esqueceu
do tamanho do box e não imaginou que minhas pernas ficaram
para cima. Não imaginou que com o resto do corpo esticado
no chão, fiquei preso e imóvel com a água caindo
diretamente no meu rosto:
— Calma — refleti, tomando
cuidado para não chamar a atenção da família.
Observei minha posição,
mas não muito, pois uso lentes de contato e não dava
para manter os olhos abertos com a água batendo no rosto.
Corria o risco delas irem pelo ralo... Nem sequer pude pedir ajuda.
Tenho mais três irmãos que iam querer fotografar antes
de me ajudar.
Somente agora você pode ter para
sempre em sua memória, a exata posição em que
me encontrava ao pensar no título para o livro que tão
bem se encaixa em minha vida.
Na
mesma noite, deitado e enfaixado na minha cama, comecei a escrever...
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